“Eu faço o que acho que é importante fazer neste universo”.

Frenético, irreverente e bué boa onda. Mr. Gallini é uma espécie de pic-nic a solo de Bruno Monteiro, baterista dos Stone Dead que começou a partir cordas a fazer canções no quarto.

Texto e entrevista por Luís Dixe Masquete

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Fauve – “selvagem” na lábia de Camões, “Mr. Gallini” na fauna de cantautores em Portugal.

Foi assim que Louis Vauzcelles, crítico conservador do Salão de Outono (Paris, 1905), chamou a Albert Marquet e demais pintores neo-impressionistas que começavam a ocupar o mainstream com traço próprio e pincel aguerrido, capaz de quebrar com os canônes da épocacom a simplicidade das chamadas “cores puras”.

C’est Donatello dans la cage aux fauves” – dizia o urso como tantos outros em relação ao Fauvismo, intrigado por um movimento que repugnava e considerava perigoso, mas que ironicamente acabaria por baptizar.

Ora, olhamos p’ra Mr. Gallini como uma espécie de Matisse dos cantautores em Portugal. Sem fados nem sinas (e muito menos, sem merdas), o Bruno Monteiro passou horas no quarto a compôr “Lovely Demos“, 1ª parte de uma triologia que chega ao Mercado Negro a abrir as comemorações dos 39 anos do GrETUA.

Como não podemos falar com Matisse, fomos bater um papo gostoso com a versão reencarnada.

Sabendo que não ’tás nisto da música p’ra retorquir a ninguém, Mr Gallini acaba por ser a resposta tuga a um certo estilo de cantautor que não se vê muito por aqui. Também te vês assim, ou nem por isso?

Ok, cenas de pensar. Ó, isso é-me um bocado indiferente. Eu faço o que acho que é importante fazer neste universo. É natural que isso possa nunca ter sido feito em Portugal ou noutro lado do mundo. Isto é muito perguntas e respostas pequenas, ou preferes ao contrário?

É como fôr, visto que “eu faço o que acho que é importanto fazer neste universo” (ahahah). Mas de facto, lembro-me de te ter recomendado o “The Sleeper”, albúm acústico do Ty Segall e tu não fazeres a puta ideia do que ‘tava a falar. Sentes que este projecto é um universo mesmo só teu, né?

Eu não acho que isso seja relevante. Não posso conhecer tudo. Mas até curto algumas cenas do Ty Segall. Sim, sendo um projeto a solo, é uma cena maioritariamente pessoal, acaba por mostrar muita merda que se passa nesta cabeça.

Cabeça essa que também pensa com os Stone Dead, mas que aqui acaba por dar espaço a canções que achavas que não encaixavam na banda. Este “Lovely Demos”, como parte de uma triologia, acaba por ser a parte mais rock destes 3 trabalhos, ou podemos esperar uma certa continuidade nos próximos discos?

O meu objetivo com esta trilogia não é propriamente garantir uma continuidade. É precisamente o contrário. Obrigar-me a explorar 3 universos completamente diferentes, seja nas ideologias, na escrita ou na produção. Posso te dizer que este “Lovely Demos” é o lado mais intimista, e mais acústico da trilogia.

 

E não podes adiantar umas coisas a um colega? Nínguém vai ler isso, o pessoal só quer saber do concerto de Sexta.

Podes fazer perguntas especificas, fodidas. Eu ainda estou a começar a gravar o “Volume 2”, por isso nao te consigo adiantar grandes infos.

Mas tá feito o disco, não?

Na minha cabeça, ya.

Mas a tua cabeça tem muita merda, sei lá o que isso quer dizer.

Na minha cabeça já estão as letras, as linhas de synths e baixo e um videoclip.

Ya, a parte gráfica ’tá bem presente nos teus trabalhos também. És um verdadeiro gajo do Do It Yourself: consegues fazer tudo o que se requer de um artista, menos responder a perguntas em concreto.

Man, tens de fazer perguntas que não me deixem fugir muito.

Podes fugir, que eu encontro-te no Mercado Negro. Vamos beber muitos copos ou vais-te guardar p’ro concerto do dia seguinte?

Vou beber copos de vinho e algumas médias, nos dois dias.

O GrRTUA tem Vodka Tónica a 2,5€, podemos passar lá também.

Com a Tago Mago é tudo à grande?

Acaba por ser devido aos amigos que fazemos. E por falar em amigos (mas dos discos), o que tens ouvido?

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Posso mandar mais…

Deixa lá, a Donna Summer chega-nos. Sexta, sobes de Lisboa comigo naquele autocarro que sai p’las 7 da manhã ou safas-me boleia mais tarde?

Opá, ainda não sei. Estou a ver se até ao fim do dia te digo algo.

Porque para além de tocares no MIL – Lisbon International Music Network e no Mercado Negro, também vais andar por aí a passear em mais sítios. Chiba-te lá que eu deixo-te em paz.

Esta semana é: Quinta no MIL, Sexta na TAGO MAGO, e Sábado com Stone Dead na SuperNova dos Maus Hábitos. Depois é o resto do mês a bombar com a banda pelas restantes Super Novas.

Pá, Sexta tocas no Mercado Negro, no inicio das comemorações do 39º aniversário do gretua, mas ok. Ficamos contentes pela referência. Vai lá à tua vida.
 
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