Fomos aos Maus Hábitos ver um concerto TOPS.

Se pensas que a Grimes é a cena mais fofa da ‘dream-pop’, então sabemos que não foste ao concerto de TOPS e perdeste uma daquelas bandas que te obrigam a comprar o disco. Acredita, até a Grimes concorda com a gente.

Texto: Luís Masquete • Fotos: Renato Cruz Santos

Sem Título

Sabíamos bem ao que íamos, mas fomos (ainda) mais longe.

Na passada Sexta-Feira, os TOPS enfeitiçaram os Maus Hábitos com a pop vintage que rubricam desde ‘Tender Opposites‘ e fecharam em beleza todo o ‘blitzkrieg‘ de concertos que a Lovers & Lollypops trouxe ao Porto num espaço de um mês.

O quinteto canadiano era, para a gente, a incógnita no meio de um cardápio que incluía nomes como Black Lips ou Minami Deutsch, mas cedo nos prendemos ao bandcamp com ‘Sugar at the Gate‘, mais recente LP da banda.

No fundo, os TOPS eram uma pérola pop no meio de tanta bijutaria que temos descoberto nos últimos tempos: desde o holandês Elias El Gersma e/ou os seus Yuko Yuko, passando por Emerson Snowe (..) de repente, é como se voltássemos a tolerar aquele reclame do VH1 e as maratonas dos 80’s, mas com o revivalismo lo-fi que Ariel Pink tão bem ensinou.

Lá fomos, e saímos de coração cheio.

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Numa sala a rondar a centena de pessoas, a banda compôs uma aura dicotómica inerente a todas as boas novidades: no fundo, estamos tod@s encantad@s com o que escutamos, ao mesmo tempo incrédul@s com o que acabamos de conhecer.

A ‘vibe’ Teletubby da vocalista Jane Perry ilumina qualquer cenário.

Teletubby‘  não apenas pelo nível de encanto meio ‘childish‘ ou pelo rosto de beleza intemporal (..) existe mesmo um sentimento nostálgico naquela voz de 20 e poucos anos, que tão bem reflecte a sonoridade da banda.

Percorrendo os 3 discos que trazem na bagagem, os TOPS foram mantendo este ‘throwback felling’, como se o nosso contexto naquela noite de Maus Hábitos fosse anteriormente ocupado pelos nossos pais, antes sequer de pensarem no nosso nome.

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Todo este set, como os discos, representou a excelência na abordagem a uma fórmula.

Mesmo com as malhas de ‘Sugar at the Gate‘, que ocuparam a 1ª parte do show, a revelarem mais consistência que as restantes, a verdade é que não diferencias uma canção da próxima/anterior, mas também não te cansas.

Num dueto de vozes que Perry executa com o guitarrista David Carriere (olha, numa cena bem ao estilo de Fleetwood Mac, salvo seja), não tens nenhuma linha liricamente estonteante, mas eles não precisam de nada disso.

Quando sais do concerto e dias depois ainda estás a cantarolar um verso simplista como ‘Is that the way that you want to be loved?‘, então é porque a canção está mais do que bem escrita e instrumentalmente bem acompanhada.

É sacar (..) hmm, perdão… É comprar os discos, ok?

 

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