O ‘adieu adieu auf, wiedersehen, goodbye’ de Pedro Passos Coelho.

Na ressaca de umas semanas intensas de (pós e proto) eleições, o rescaldo de mais um par de episódios ‘laranjas’ na nossa débil democracia ocidental.

Texto: Luís Dixe Masquete ● Ilustração: Inês DIxe

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Todas as eleições têm o expoente máximo na última semana de campanha.

Foi aqui que, da Esquerda à Direita, nos regemos pelo exímio ‘Recolha a sua t-shirt e bandeira na sede da candidatura e participe’.

Chegado o Dia D, temos mais do mesmo: os foguetes dos vencedores, as contextualizações dos vencidos, e blá blá blá, whiskas saquetas.

A nós, interessam-nos apenas as reais consequências, e ilações, a tirar de um par de semanas depois de irmos às urnas (..) as únicas ‘novelas‘ que achamos piada são aquelas criadas por nós mesmos.

O cabeça de cartaz aqui é unânime, Pedro Passos Coelho. E a liderança do Partido Social Democrata (PSD) é a única questão de relevância do momento.

Querem cenas acerca do Orçamento de Estado 2018 liguem a televisão, caramba.

Comecemos então pelo ‘modus operandi‘ do povo que, em todas e demais eleições, vota maioritariamente consoante o contexto político nacional.

Cada eleitor(a) pode achar tudo e mais alguma coisa acerca dos candidat@s, mas mesmo com muitos ‘Andrés Venturas‘ nesta vida, a derrota estrondosa do PSD (e a discrepância para o Partido Socialista) não foi culpa de ‘maus candidatos‘.

Do PSD diga-se, de Passos Coelho. O (ainda) líder do partido paga o preço de ter dado a cara (talvez o corpo) ao executar um plano de ajustamento que foi assinado a 3 (O PS pode safar-se na retórica, mas ela não o torna inocente).

Muito falam do populismo dos políticos e dos partidos, mas nunca do populismo das massas. E em Portugal, as massas caíram que nem ginja na cantiga de António Costa (..) aquela cujo refrão diz que, afinal, era possível fazer diferente.

Aqui, o socialista aparece como ‘o bom primeiro ministro‘, a antítese do ‘mau primeiro ministro‘. Isto podia estar certo (não achamos, ok?), mas o problema fica-se p’lo simplismo popular do ‘um sacou-nos guito, e o outro repôs‘.

Pouco importa as diferentes conjunturas europeias que ambos tiveram (..) pouco importa se a ‘troika’ nos obrigou (a bem ou a mal) a suster o cinto com o aval do Partido Socialista (..) pouco importa se, antes da Geringonça, houve uma Grécia quase a ir de piça. O que, verdade seja dita, fez com que a gente fosse levando uns raspanetes em vez da chantagem paternal que Merkel e Schäuble impuseram ao SYRIZA.

O que importa, e muito cobarde laranja também o afirma agora, é ‘devolver o partido ao centro‘.

Temos um partido raivoso, de facas afiadas e de borracha lisa, ao tentarem apagar 4 anos de Governo que (supostamente) ficam mal ao PSD.

Como se Pedro Passos Coelho fosse o eterno culpado de tudo. Como se Passos Coelho, na pele de primeiro ministro, tivesse governado com agenda própria (mais liberal que a tradição laranja, verdade) e não sob o jugo de um conjunto de medidas impostas p’lo exterior.

Somos contra a ‘hole picture‘, a conjuntura geral de uma União Europeia deficiente, que quase colapsou Portugal e a Grécia com os famosos ‘planos de ajustamento‘. E, evidentemente, somos contra todos os agentes políticos que, desde o 1º dia, foram coniventes com esta conjuntura.

De nada adianta sacrificar Passos Coelho para limpar o cadastro.

Com o Partido Socialista a sair reforçado, e com a retórica sempre mais à Esquerda que a acção, o PSD entra no tabuleiro. Sob a desculpa da ‘estalinização‘ do regime, os ‘laranjas‘ irão assumir-se como legítimos herdeiros do ‘centro‘, seja com Rui Rio, Santana Lopes, ou blá, blá blá, whiskas saquetas.

Espaço (ainda) mais alargado p’ra ocupar no panorâma político em Portugal. Um partido que rompa com a matriz estatizante, com a dicotomia Esquerda-Direita que deixou de ter lugar neste mundo.

Espaço para liberais (como Passos chegou a ser) saírem da toca e abrir caminho para uma agenda socialmente e economicamente liberal que este Portugal, e a Europa, tanto precisam.

Contra os papás e mamãs, marchar, marchar!

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